terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

No primeiro dia de julgamento, testemunhas relatam violência e ameaças de morte feitas por Lindemberg

O primeiro dia do julgamento do caso Eloá Pimentel, que começou nesta segunda-feira (13), em Santo André (Grande SP), foi marcado pelo depoimento de quatro testemunhas da promotoria. O réu Lindemberg Alves manteve Eloá, sua ex-namorada, como refém em outubro de 2008 por cerca de cem horas e o cárcere terminou com a morte da jovem. O julgamento será retomado na manhã desta terça-feira e pode durar entre três e quatro dias.
Todas as testemunhas confirmaram que Lindemberg fazia ameaças de morte durante o cárcere privado. O testemunho mais esperado do dia era o da amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, que foi feita refém junto com a jovem. Nayara pediu que Lindemberg fosse retirado da sala enquanto ela falasse.
A jovem, que foi ferida por um tiro no rosto quando a polícia invadiu o local, disse que o réu agrediu Eloá durante o período de cativeiro e que a vítima dizia o tempo todo que “sabia que ia morrer”. Nayara afirmou que ouviu três disparos antes da entrada da polícia no apartamento –o que comprova a tese da acusação, de que os tiros partiram do réu e não da polícia.
A amiga de Eloá também falou sobre o comportamento do ex-namorado da vítima. “Lindemberg passou a perseguir a Eloá depois que eles terminaram o namoro”, completou. Segundo a jovem, ele a considerava uma má influência para a vítima. "Ele tinha raiva de mim e da minha mãe porque a Eloá andava dormindo lá em casa e a gente saia bastante. Ele dizia que eu a influenciava diretamente."
Já sobre o comportamento do réu durante o cárcere, ela afirmou que Lindemberg dava risada e se vangloriava pela repercussão do caso na mídia. "Na televisão só passava isso [relatos do caso]", disse Nayara.
A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, questionou o teor do depoimento. “A Nayara mentiu e inventou (...). Por ela ser vítima, o depoimento dela é um depoimento suspeito”, disse. “Ela foi bem orientada por seu advogado, até simulou um choro, uma emoção, para dramatizar.”
Outros dois amigos de Eloá, que também foram mantidos reféns, afirmaram que Lindemberg os ameaçava de morte. "Ele dizia que ia fazer uma besteira", disse Victor Lopes de Campos respondendo às perguntas da promotora Daniela Hashimoto. Já Iago Oliveira afirmou que "ele ameaçava a Eloá a toda hora, e dizia que ela não ia sair viva de lá: ou ele ia matar todo mundo e se matar, ou matar a Eloá e se matar".
O sargento Atos Antonio Valeriano, policial militar que iniciou o trabalho de negociação com Lindemberg, disse que o jovem estava nervoso e dizia que “ia matar os quatro” e depois ameaçava também se matar.
O primeiro dia de julgamento durou pouco mais de nove horas e foi encerrado às 20h.
Amanhã ainda deve ser ouvida mais uma testemunha de acusação, o irmão mais velho de Eloá, Ronickson Pimentel. Depois, devem depor as testemunhas da defesa. Após os depoimentos, o réu, então, será interrogado –Lindemberg, que até agora se recusou a falar, poderá permanecer calado, mas sua advogada já disse que ele vai falar sobre o caso. Após essa etapa, os debates são abertos, com uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa (além da réplica e da tréplica).

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Pois ser mestre é isso: ensinar a felicidade”  Rubens Alves Gestor(a) Vice Gestor(a), Secretário(a) Aux. de Secretaria Coordenador(a), Prof...