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Arraiá do Pedro Lourenço

sábado, 3 de janeiro de 2026

É Deus ou o diabo? Santo Inácio nos ajuda a discernir



 A vida é uma batalha. — Há muito tempo que nos fazem acreditar que a nossa vida é só aqui, que tudo o que acontece é por mero acaso, que cada um de nós está sozinho na aventura da própria existência. 

Mas não é assim. Nossa vida terrena situa-se na dimensão da eternidade e está ligada à realidade sobrenatural (Deus) e preternatural (anjos). O que acontece pode depender de nós, mas também pode depender de outras forças. Pode depender também do diabo, que se opõe a todos os homens por inveja e ódio a Deus. São Paulo escreve: 

Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio, porque nós não temos que lutar (somente) contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades (do inferno), contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos (espalhados) pelos ares. Portanto, tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e ficar de pé depois de ter vencido tudo (Ef 6, 11-13).
Detalhe de “Os milagres de Santo Inácio de Loyola”, pintura de Peter Paul Rubens.

A astúcia do diabo. — Há quem diga que o diabo é o maior dos psicólogos. Ele nos observa continuamente e capta todos os nossos pontos fracos. Santo Inácio de Loyola (1491–1556) compara-o, com razão, a um comandante que precisa conquistar um castelo. Um bom comandante nunca diria aos seus soldados: “Ataquemos logo!” Porque um ataque deste tipo acabaria sendo facilmente repelido. Um bom comandante faria outra coisa: secretamente, com poucos homens, daria a volta ao castelo para observá-lo bem e tentaria descobrir os pontos mais fracos da construção. Só então decidiria começar o ataque. 

O diabo faz o mesmo conosco: nunca nos atacará nos pontos em que somos mais fortes, mas sempre nos pontos em que somos mais fracos. Isso não quer dizer que devamos ver o diabo em tudo, o que seria errado. Mas também não devemos fazer o contrário, ou seja, nunca “vê-lo”, pois isso também seria um equívoco. Em vez disso, devemos distinguir entre causa próxima e causa remota. Se temos dor de cabeça, não necessariamente o diabo a está causando (pode ser, mas é raro); todavia, ele pode se aproveitar disso para nos tentar com mais sucesso, deixando-nos mais irritados, impacientes etc.

Nunca recuar, mas sempre contra-atacar. — Tudo isso significa que devemos, em primeiro lugar, trabalhar nossos pontos fracos (veremos como fazer isso), mas também saber agir durante os ataques do diabo. 

Muitos já devem ter passado por isso: estavam caminhando pelo campo e, de repente, viram um cão latindo e ameaçando. Bem, nesses casos, se fugirmos, podemos correr sérios riscos; mas se tivermos a coragem de parar e, eventualmente, fazer um gesto agressivo ou atirar uma pedra, as coisas mudam: veremos o cão fugir. O mesmo acontece com o diabo. Se lhe mostrarmos fraqueza, está tudo acabado; se resistirmos, porém, ele acabará nos deixando. 

Vejamos um exemplo. 

Decidimos rezar dez minutos pela manhã. Se o dia está bonito e acordamos felizes; se sabemos que algo bom vai acontecer nesse dia, esses dez minutos tornam-se maravilhosos. Mas se um dia acordarmos tristes, cansados, esses dez minutos parecerão muito pesados. Bem, nesse caso, seria um problema desistir e pensar: “Bem, em vez de rezar por dez minutos, rezarei por cinco…”. Se desistirmos, o diabo ficará ainda mais feroz. 

Em vez disso, devemos fazer outra coisa. Justamente porque não temos vontade, não só devemos respeitar o compromisso dos dez minutos, mas, em vez de dez, devemos fazer mais um: onze! Em suma, é preciso reagir e passar ao contra-ataque, mesmo que isso nos custe... e custe muito. Nesse caso, o diabo desistirá porque compreenderá que não só não conseguiria alcançar seu objetivo, mas até aumentaria os méritos daquele que está sendo tentado.

A cada um as suas tentações. — Quando Santo Inácio de Loyola estava na caverna de Manresa, Nossa Senhora inspirou-lhe (há quem diga que ditou-lhe) os Exercícios Espirituais e, com eles, as regras para o discernimento dos espíritos — regras, isto é, critérios para saber se um movimento interior vem de Deus ou do diabo. Santo Inácio diz:

Às pessoas que vão de pecado mortal em pecado mortal, o inimigo costuma propor-lhes prazeres aparentes, ocupando sua imaginação com deleites e prazeres sensuais, para melhor retê-las e mergulhá-las em seus vícios e pecados; nessas pessoas, o espírito bom usa um modo contrário, importunando-as e fustigando sua consciência com repreensões da razão.

Portanto, no caso daqueles que vivem em pecado mortal, o espírito maligno os tranquiliza e impulsiona cada vez mais para o pecado: “Não te preocupes, Deus é bom! Todos agem assim. Aproveita a vida, arrepender-te-ás na hora da morte…” O anjo bom, por outro lado, nestes casos, provoca remorsos de consciência e diz ao pecador como as coisas realmente são. 

Santo Inácio diz:

Com as pessoas que trabalham corajosamente para se purificar dos seus pecados e crescem cada vez mais no serviço de Deus, nosso Senhor, acontece o contrário do que foi dito na primeira regra. Porque nesse caso é próprio do espírito maligno causar-lhes tristeza e tormentos de consciência, levantar obstáculos, inquietá-las com falsas razões, a fim de impedir seu progresso no caminho da virtude...

Existem algumas características, quase “odores”, que denunciam o espírito maligno:

  • A tristeza. “Um santo triste é um triste santo”, dizia São Francisco de Sales. O demônio é eternamente triste. Não consegue livrar-se de sua tristeza, e a transmite logo que se aproxima.
  • Os tormentos da consciência. Um famoso jesuíta, Padre Louis Lallemant, gostava de dizer: “Toda proposição condicional que perturba vem do demônio.” E se... e se... e todos os medos que se seguem a essas incertezas. O anjo bom não, ele é claro!
  • Os obstáculos. O diabo é muito bom em apresentar como muito difícil, senão impossível, o respeito pela lei de Deus: “Quem pode realmente cumprir os Mandamentos? Os padres nos dizem para cumpri-los, mas são os primeiros a não fazê-lo... Ter outro filho? Não! Como vamos criá-lo? E o que vão pensar os parentes, os amigos?
  • A perturbação. São João Berchmans dizia: “Toda perturbação vem do demônio.” Os vários tipos de pânico, medo do futuro, agitação, ansiedade…
  • O desânimo. Todo desânimo vem do demônio. Começou bem... depois, de repente, falta coragem e vontade... bem, é possível que o demônio tenha aparecido. O anjo da guarda, por outro lado, dá coragem, paz, alegria, torna tudo fácil. De fato, a segunda regra continua assim: “...ao contrário, é próprio do espírito bom dar-lhes coragem e força, consolação e lágrimas, boas inspirações e paz, facilitando e afastando todos os obstáculos, para que avancem cada vez mais no bem”.
    “Heráclito, o filósofo chorão”, pintura anônima do século XVII

Consolação e desolação. — Muitas vezes, o demônio vence as almas generosas graças a uma falsa definição de consolação ou desolação do espírito. Muitos cristãos confundem consolação com progresso na santidade, e desolação com retrocesso, mas não são a mesma coisa. Não devemos acreditar que somos mais santos porque sentimos consolação espiritual; nem devemos desistir quando cremos estar retrocedendo porque sofremos tentações, mesmo que feias. Diz Santo Inácio:

Chamo de consolação o movimento interior da alma pelo qual ela se inflama no amor do seu Criador e Senhor, e daí resulta que nada do que foi criado sobre a face da terra pode ser amado em si mesmo, mas apenas no Criador de todas as coisas. É ainda a consolação que faz derramar lágrimas que movem a alma ao amor do Senhor, seja por causa do doloroso peso dos pecados, seja pela Paixão de Cristo, nosso Senhor, seja por outras coisas diretamente ordenadas ao seu serviço e louvor; finalmente, chamo de consolação todo aumento de esperança, fé e caridade e toda alegria interior que atrai a alma para as coisas celestiais e para o cuidado com sua salvação, acalmando-a e pacificando-a em seu Criador e Senhor. Chamo, ao contrário, de desolação tudo o que é contrário à consolação, como as trevas da alma, sua perturbação, a inclinação para coisas baixas e terrenas, a inquietação de várias agitações e tentações, que levam a alma à desconfiança, deixando-a sem esperança, sem amor, toda preguiçosa, tépida, triste e como separada de seu Criador e Senhor. Porque assim como a consolação é contrária à desolação, do mesmo modo os pensamentos que nascem da consolação são necessariamente contrários aos pensamentos que nascem da desolação.

O Senhor pode nos tirar o consolo para ver quem realmente amamos: se a Ele ou a suas consolações. A desolação é uma grande oportunidade para crescer em santidade. Todos os santos passaram por provações e desolações muito duras. Disse Jesus a São Pio de Pietrelcina: “Quantas vezes tu me terias abandonado, meu filho, se eu não tivesse te crucificado. Sob a cruz aprende-se a amar; e eu não dou a cruz a todos, mas apenas às almas que me são mais queridas.” E um dia São Francisco de Assis confidenciou a um amigo íntimo: “Se soubessem quantas e quão graves tribulações e aflições me causam os demônios, não haveria ninguém que não se comovesse de compaixão e piedade por mim.” A Sagrada Escritura afirma: “O homem paciente vale mais do que o valente” (Pr 16, 32). 

O que fazer na desolação? — Diz Santo Inácio:

Segue-se que, no tempo da desolação, nunca se deve fazer qualquer mudança, mas permanecer firme e constante nos propósitos e na determinação em que se estava no tempo anterior à desolação ou na determinação em que se estava na consolação anterior. Porque, assim como na consolação normalmente nos guia e aconselha mais o espírito bom, na desolação é o espírito mau, com cujos conselhos não podemos encontrar o caminho que conduz a um bom fim.

Portanto, na desolação quem nos influencia é o demônio. Santo Inácio continua:

Dado que na desolação nunca devemos mudar nossos propósitos, é muito útil que tenhamos a coragem de mudar a nós mesmos, isto é, nossa maneira de agir, e direcioná-la inteiramente contra o ataque da desolação, como, por exemplo, dedicando mais tempo à oração, meditando com mais atenção, examinando com mais seriedade nossa consciência, dedicando-nos a alguma prática conveniente de penitência.

Portanto, nunca fiquemos passivos, mas sempre contra-ataquemos! Permaneçamos fiéis aos nossos compromissos, intensifiquemos a oração e aumentemos a penitência. Jesus disse: o demônio é expulso com a oração e o jejum. Se não for possível jejuar de comida, pelo menos abstenhamo-nos de algum prazer lícito. Ainda Santo Inácio:

Aquele que se encontra na desolação, considere como o Senhor, para prová-lo, o deixou [entregue] às suas forças naturais, para que resista como se estivesse sozinho diante das agitações e tentações do inimigo; pois ele pode fazê-lo com a ajuda divina que sempre lhe resta, mesmo que não a sinta; porque o Senhor lhe tirou o fervor sensível, o grande amor e a graça intensa, deixando-lhe, no entanto, a graça suficiente para a salvação eterna.

Apesar de o diabo (que é mentiroso!) dizer o contrário, devemos ter a certeza de que o Senhor nunca deixará ninguém sem a graça suficiente para resistir e salvar sua alma. Portanto, confiemos plenamente em Deus. São Paulo escreve: “Deus, que é fiel, não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças. Em caso de tentação, dar-vos-á os meios de lhe resistir” (1Cor 10, 13).

“A tentação de Santo Antão”, por Joos van Craesbeeck.

Com a graça, tudo é possível. — Portanto, com a graça tudo é possível. Com Deus, o homem pode derrotar até mesmo aqueles muito mais fortes do que ele. A modernidade se iludiu com a ideia de que poderia tornar o homem autossuficiente, não mais necessitado de Deus. Bem, ela não só não alcançou esse “sonho”, como se viu diante de um homem ainda menor, escravo de tudo: do poder, do dinheiro, da ideologia, dos seus pensamentos, emoções irracionais, angústias, ansiedades... de tudo. Em vez disso, outrora, o homem, obediente à lei de Deus, era muito mais livre. Sim, muito mais livre. Reconhecendo em sua vida a maravilha da Verdade (a pessoa de Jesus, vivo; verdadeiro), encontrava precisamente nele a sua liberdade: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A Virgem Maria, por meio de Santo Inácio, quis nos ensinar isto: se o homem não se submete a Deus, acabará se submetendo a todas as mentiras... e sobretudo àquele que é mentiroso desde o princípio.



Se o homem não se submete a Deus, acabará se submetendo a todas as mentiras... e sobretudo àquele que é mentiroso desde o princípio. Conheça neste texto as valiosas (e utilíssimas) regras de Santo Inácio de Loyola para o discernimento dos espíritos.

Il Cammino dei Tre SentieriTradução: Equipe Christo Nihil Præponere

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Publicado por Canção Nova Play em Segunda, 22 de janeiro de 2018

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Histórico Segundo a tradição local, por volta de 1890, no caminho entre Bom Jardim e a mata existente no local, havia uma casinha de palha, onde vivia uma senhora portadora de deficiência que costumava dar pouso aos viajantes. Posteriormente mudou-se para o local o Sr. José Barbosa de Farias. Outras famílias estabeleceram-se no local. Em 1894, foi construída uma capela dedicada a Nossa Senhora das Dores, atual padroeira, pelo professor José Merim. A partir deste núcleo de pequenas casas, que deu origem ao nome Casinhas, surgiu o município. O distrito de Casinhas foi criado pelas leis municipais nºs 46, de 16 de Dezembro de 1925, e nº 2, de 16 de Novembro de 1929, sendo subordinado ao município de Surubim. Foi elevado à condição de município pela lei estadual nº 11228, de 12 de Julho de 1995, com base na lei estadual complementar n° 15, de 1990, que permitiu aos municípios a solicitação da emancipação, desde que atendessem a alguns requisitos, como ter população superior a 10 mil habitantes e que o total de eleitores seja maior que 30% desta população. O município foi instalado em 1 de Janeiro de 1997.

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