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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A presidente decide

O jornal “El Pais”, considerado o mais importante da Espanha, declarou, textualmente, em uma de suas edições, que a presidente Dilma Rousseff  “é quem manda no Brasil”. O diário ibérico contesta, também, na mesma matéria, versão divulgada, anteriormente, em vários órgãos de comunicação, que a sua administração seria fruto da condição de “criatura” do ex-presidente Lula.

Na prática, tal previsão vem se revelando imprecisa, pois os exemplos sucessivos do seu poder de decisão repetem-se com frequência. Na terça-feira, a presidente retirou do ministro de esportes, Orlando Silva, as atribuições de ser o interlocutor do Governo sobre as negociações da Copa do Mundo de 2014 e na tramitação da Lei Geral da Copa no Congresso.

Não se trata de um pré-julgamento desfavorável ao auxiliar de confiança, no momento em que ele é objeto de acusação (sem provas) de ter cometido irregularidades funcionais à frente daquele ministério. Em complemento, a presidente adotou uma medida cautelar, ao designar a ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann, para exercer as referidas funções.   .

Diga-se, de passagem, que o ministro abandonou uma postura defensiva ao depor para os parlamentares, terça-feira, partindo para a ofensiva, saindo-se bem das denúncias que lhes foram assacadas, conforme avaliação feita por vários parlamentares, tanto oposicionistas como situacionistas.

Mas, a essência da questão que ora abordamos não se localiza no depoimento do ministro Orlando Silva, mas na rapidez da decisão adotada pela presidente Dilma Rousseff, que sugere a interpretação de estar disposta a não contemporizar com quaisquer atos (supostos ou não) de corrupção que venham a macular o governo e a sua condição de presidente da República.

Mais ainda, nesse recente episódio não é improvável admitir da presidente um afastamento tático da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), leia-se Ricardo Teixeira, quando ela conseguiu convencer o ex-craque Pelé a assumir o papel de embaixador honorário do Brasil na Copa do Mundo, o que reduzirá a importância do presidente da CBF na competição. Tal decisão reafirma a personalidade forte e afirmativa da presidente Dilma Rousseff, revelando, mais uma vez, estar preparada para exercer plenamente suas funções, livre de tutelas de quaisquer natureza.

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