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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Fifa divulga hoje datas da Copa


A Fifa finalmente divulgará hoje o calendário oficial de jogos da Copa do Mundo de 2014. Mas, depois de quatro anos de disputas, o plano atende mais a interesses políticos e comerciais que propriamente esportivos. Para o anúncio, programado para começar às 12h20 (horário do Recife), em Zurique, na Suíça, nada de craques das seleções ou ex-jogadores. Apenas políticos, cartolas e patrocinadores.

Foram 57 calendários feitos até chegar ao formato final, a ser divulgado hoje, com as sedes de todos os jogos. A CBF e a Fifa tinham de adequar as promessas políticas a um organograma que atendesse ao formato também das televisões e interesses comerciais.

No começo, a Fifa alertou que não gostaria de ter 12 cidades-sede na Copa de 2014, porque isso atrapalharia o evento e criaria estádio que seriam verdadeiros “elefantes brancos”. Mas o argumento não foi suficiente para frear os planos da CBF e do governo brasileiro.

Hoje, a Fifa acusa abertamente o governo federal por ter barganhado benefícios políticos na escolha de cidades que receberiam os jogos. Pessoas que trabalhavam com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda confirmaram ontem que até ele se envolveu nos debates das sedes, interveio e fez questão de colocar aliados políticos nos planos da Fifa.

São Paulo ficará com a abertura da Copa, depois de muito impasse para a construção de um novo estádio. Brasília, por sua vez, terá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, como prêmio de consolação por não ter o jogo inaugural do Mundial.

O Nordeste também foi valorizado. Assim, um terço dos jogos da Copa deve ser realizado na região. Enquanto isso, o Maracanã está fora de todos os prazos. Mas, por ser o Rio, a Fifa faz vistas grossas a todos os problemas do estádio e a cidade terá a final do Mundial.

A própria plateia do evento de hoje mostra a dimensão política do calendário da Copa. Mesmo sem ser convidado pela Fifa, os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e de Minas Gerais, Antonio Anastasia, viajaram até a cidade suíça. O mineiro chegou a alegar que tinha visita a empresários e que as datas apenas coincidiram. Nenhum dos governadores tinha sequer uma agenda a ser seguida na Fifa.

DE OLHO NO LUCRO

Agnelo Queiroz insistia ontem que era a abertura da Copa das Confederações que apresentava o Brasil ao mundo. Apesar de perder a disputa com São Paulo para abrir o Mundial, Brasília terá ainda um jogo da Seleção Brasileira na primeira fase da competição e possivelmente uma das semifinais. As considerações comerciais também pesaram. A Fifa insistiu que não haveria outra alternativa à cidade de São Paulo, o maior mercado consumidor do Brasil, e que a crise política teria de ser superada. As construtoras também ganharam. Dos 12 estádios do Mundial, sete serão novos.

Na Fifa, os cartolas não negavam ontem que a meta da entidade no Brasil é mesmo compensar as dificuldades financeiras que teve na África do Sul com o Mundial de 2010. “Nosso objetivo é ter lucros maiores no Brasil que na África do Sul e temos tudo para que isso ocorra”, disse um dos membros do Comitê Executivo da Fifa, Jacques Anouma. Para 2018, porém, a Fifa já aprendeu com o Brasil e prometeu que não vai deixar que a mesma disputa política se repita. A Rússia organizará a Copa do Mundo apenas na parcela ocidental do país e com uma distância máxima entre cidades de apenas duas horas de voo.

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