Alergia a leite de vaca é cada vez mais comum, principalmente entre crianças
Sintomas podem ser variados, por meio da pele, gastrointestinal e vias aéreas
Na primeira vez que sua filha consumiu leite de vaca, quando ela tinha
por volta dos 4 meses e meio de vida, a engenheira civil Rebecca Rolim,
de 33 anos, teve que levá-la ao hospital. Ao redor de sua boca, nas mãos
e nos lugares onde o leite havia escorrido, manchas vermelhas
apareceram e ela imediatamente soube que tratava-se de um quadro de
reação alérgica. Após realizar uma bateria de exames, sendo um deles
por meio do sangue e, outro, da pele, foi confirmado que Gabrielle
Milet, que hoje tem 1 ano e 5 meses, filha de Rebecca, possuía sim,
alergia ao leite de vaca. Porém, o caso de Gabrielle não é isolado. De acordo com uma pesquisa
desenvolvida pelo Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia Clínica do
Hospital das Clínicas (HC), da Universidade Federal de Pernambuco, a
alergia ao leite de vaca é uma das mais frequentes em crianças na faixa
etária de 0 a 2 anos. Intitulada “Positividade do teste de provocação
oral aberto em crianças com suspeita de alergia à proteína do leite de
vaca”, a pesquisa que utilizou-se de 24 pacientes infantis do hospital,
sendo metade do sexo feminino e mostrou que após o teste de provocação
oral aberto, 11 (que representam 46% das crianças) apresentaram sintomas
de alergia.
De acordo com a pediatra Nilza Lyra, em 80% dos casos, as crianças superam a alergia, até os 5 anos
“O teste de provocação é o padrão ouro para sabermos se uma pessoa tem
alergia a uma substância ou não. Muitas vezes o exame sanguíneo ou o
cutâneo indicam que a criança é alérgica a um alimento, mas ela não
apresenta nenhum sintoma da doença, por isso o de provocação é
importante, para ter certeza de que o paciente é, de fato, alérgico”,
relatou a pediatra e pesquisadora do HC, Nilza Lyra. Segundo a médica,
esse tipo de teste acontece em diversas etapas. Inicialmente, a
substância é passada na pele do antebraço do paciente. Não havendo
reação, ela é posteriormente passada nos lábios da criança. Se mesmo
assim a pessoa que está sendo testada não apresentar sintomas, ela passa
a ingerir pequenas quantidades do alimento até que se comprove ou não a
sua alergia.
Os sintomas da alergia podem ser diversos e se apresentam por meio da
pele, do trato gastrointestinal e das vias aéreas. Inchaço nos olhos,
boca, diarreia, vômitos constantes, cólicas, gases, problemas no
crescimento, demora a ganhar peso e efisemas na pele são os sinais
alérgicos mais frequentes. Contudo, nem sempre as crianças que
apresentam a alergia durante a infância irão permanecer com ela para o
resto da vida. Nilza acrescentou que o leite de vaca é um dos primeiros
alimentos diferente do leite da mama ao qual a criança é exposta, mas
que, em cerca de 80% dos casos, as crianças superam a alergia até os 5
anos.
E isso é o que pode estar acontecendo com a pequena Gabrielle Milet.
“Quando descobrimos que ela tinha alergia ao leite de vaca, o tratamento
foi a distância de leite e seus derivados até que ela completasse um
ano. Quando ela completou, passou a tomar leite de soja. Agora, ela faz
outro tipo de tratamento”, disse a mãe de Gabrielle, Rebecca Rolim. De
acordo com a engenheira civil, Gabrielle todos os dias, há
aproximadamente um mês, é exposta a uma determinada quantidade de leite
cozido, através de bolos, por exemplo. Tudo isso, com o devido
acompanhamento médico. “Desde que ela começou o tratamento, não
apresentou reação alérgica alguma enquanto o fazia, ou seja, quando
comeu as pequenas quantidades de leite de vaca cozido oferecidas”,
finalizou a mãe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário